thumbnail
APOIO

O uso da internet

Imaginem a situação: as pessoas estão reunidas em uma mesa de bar ou restaurante.
Onde estão os aparelhos celulares? É cada vez mais comum ver um grupo reunido e com telefones a postos para conferir fotos no Instagram, visualizar atualizações no Facebook, digitar algumas conversas fragmentadas em Whatsapp, e outras tarefas virtuais.
Ou ainda, quem não passou pela situação de estar conversando com um amigo, ou conhecido, e essa pessoa estar atenta à tela do celular? É uma situação comum e difundida hoje em dia.







Essas cenas são um retrato de conversas dispersas e o foco não são mais os assuntos ali tratados.
Se iniciarmos essa conversa atribuindo causas, devemos nos remeter ao mundo moderno e globalizado com o aumento no número de vendas de celulares (impulsionado pela oferta de compras e diversidade de modelos e funções que aguçam a vontade de aquisição) e a necessidade de consumir o produto mais moderno e atualizado.
Ou ainda a proliferação de ofertas de telefonias e o alto investimento em desenvolvimento de tecnologias para dar conta das demandas da vida moderna.
Além disso, temos a oferta dos estabelecimentos comerciais para atrair clientes ou os aplicativos desenvolvidos para utilização específica de encontros reais programados pelos virtuais.
Enfim, apesar da diversidade de causas e explicações para o aumento da utilização da internet em locais públicos, o fato é que a situação está dada e faz parte da composição do cotidiano.



Quando estamos  perto das pessoas, perdemos o contato real.
Quando nos propomos a estar na companhia do outro, ficamos fragilmente vinculados já que a relação não se dá ali, mas com a participação de tudo que pode ser agregado pela internet também.
De modo que as conversas são atualizadas e enriquecidas com informações coletadas em tempo real no mundo virtual.
É uma dinâmica nas relações que está posta e que convida as pessoas a repensar como estão nessa realidade.
O ponto é: quando temos a oportunidade de estar com a atenção para o outro, nos dispersamos em muitos estímulos ofertados pela rede.
E a internet apresenta a possibilidade de vivenciar outra realidade paralela a real (nesse caso, realidade virtual) , trazendo consigo o controle efetivo de ser o “alguém” que desejo ser.
O espaço virtual oferece a edição de fotos, vídeos, efeitos de filtros, recortes de frases que tentam transmitir uma realidade construída.
Ou seja, eu posso ser quem eu quero e de forma idealizada.
E esse contato é impulsionado pela atenção que se recebe de outras pessoas ao postar uma novidade e receber de recompensas diversas curtidas e comentários.
Fato que, quando trazido ao cotidiano, confronta-se com o real vivido e que pode gerar frustações visto que a imersão nessa realidade paralela afasta do contato direto com as pessoas e que tende a comprometer o desenvolvimento de habilidades sociais.

Sendo assim, a internet pode ser um start para o não controle de impulsos, o que pode gerar o desenvolvimento de psicopatologias relacionadas à dependência da internet e os atuais e discutidos transtornos do exagero.
A dificuldade da maioria das pessoas tem sido em identificar quando a utilização da internet deixa de ser um recurso de facilitação da vida cotidiana para gerar uma doença mental.
Alguns sinais podem ser diagnosticados como sintomas e vale a pena prestar atenção quando nos perguntamos se estamos utilizando a internet por um longo período do dia (ou quando os outros comentam).
Talvez, essa seja a hora de realmente pensar se esse hábito não tem tomado grande parte do tempo no dia a dia.
Caso identifique que tenha se afastado das pessoas ou comprometido atividades antes cotidianas para usar a internet, é o momento de pensar em uma dosagem de utilização sem culpa.
Não devemos idealizar a não utilização da internet, mas desfrutar dos benefícios sem comprometer a relação com outras pessoas e tarefas diárias.
Caso tenha a possibilidade de interagir com amigos, familiares ou colegas em situações reais dê prioridade para essas situações (o que está postado na rede ficará lá esperando o tempo necessário para ser acessado).
Questione de forma crítica a real necessidade de, por exemplo, adquirir um aparelho de celular novo ou um computador com processador mais rápido.
Outra forma de analisar é pensar na qualidade das suas postagens (eu faria essa exposição virtual pessoalmente para alguém?).
Tente evitar carregar aparelhos eletrônicos para acessar internet em todos os locais onde circula (você ainda poderá tomar banho sem o celular no banheiro).
E se entender que não esteja conseguindo manter o controle do uso da internet, procure ajuda de um profissional que poderá auxiliá-lo.



O mundo real e o mundo virtual estão em interação constante e a posição das pessoas implica na modificação de comportamento.
Possivelmente, não serve a ideia de a crítica mudar a forma de organização atual, mas quem sabe podemos aprender a viver essa realidade e incorporá-la de forma consciente.
O desafio é encontrar a medida de aproveitar as facilidades ofertadas pelo acesso a internet sem comprometer as relações sociais.
Não é uma dosagem certa e ainda não foi dada, cabe a nós desenvolvermos dentro a dinâmica vivida por cada um.



Por Bárbara barbosa silva

CRP 07/16856 

Coordenadora do curso de Psicologia da FISMA


Facebook


Voltar
DESTAQUES